
KABA
Belo Horizonte, Brasil
“KABA” é o nome dado às vespas na Amazônia. O bicho carrega uma presença que exige atenção. Quando uma caba entra em um cômodo, o ambiente muda. Não pelo barulho, mas pela consciência da presença. É essa qualidade que o nome carrega para a produtora. Não se impõe, mas, quando aparece, reorienta o olhar de quem está. A escolha do nome nasce do caminho de Beatriz e Felipe, os sócios, do Norte do Brasil para Belo Horizonte. Uma forma de marcar no presente um repertório da cultura de origem que os atravessa. O “K” no lugar do “C” é um desvio proposital que conecta a raiz amazônica a uma estética contemporânea.
Partindo do entendimento de que toda solução de design se encontra no próprio problema, a direção gráfica segue esse princípio: usar o universo imagético da vespa como premissa de projeto. Não como figuração, mas como lógica, um repertório de geometria rígida e formas orgânicas orienta todas as escolhas gráficas. O símbolo não representa o bicho de forma descritiva, mas opera no campo da sugestão. As formas se articulam de modo a ativar o repertório de quem vê, permitindo que a imagem se construa na percepção.
A escolha do acorde cromático parte de uma pesquisa: insetos como a vespa enxergam além do espectro visível ao olho humano, incluindo o ultravioleta. O mundo que percebem é cromaticamente mais amplo. O acorde se constrói a partir do azul profundo e do verde elétrico, tons que deslocam a percepção para esse espectro ampliado, aproximando da leitura do campo visual das vespas. As aplicações e tampets seguem a simplicidade dos elementos, considerando os pontos de contato, sustentadas por um repertório denso de significados e orientado por pesquisa e sensibilidade criativa.






